Açorda à algarvia

Mais uma açorda , desta vez descemos ao Sul do país, Algarve, onde na sua zona costeira abunda uma grande variedade de  marisco: mexilhão,  ameijoas, berbigão, conquilhas, ostras e os percebes ao natural da sua costa vicentina. Com eles se fazem pratos deliciosos como esta açorda que, já, já, vos vou mostrar como eu a fiz.

Não vou esconder que a sua execução é um pouquito trabalhosa mas vale o esforço,  ao degustá-la!

Vejamos então o que quero dizer com “um pouquinho trabalhosa”: depois de comprados os mariscos convém deixá-los uma hora pelo menos em cada um em seu alguidar com água e sal para libertarem a areia que ainda possam ter; cozer num caldo preparado, cada um em sua vez; filtrar o caldo; tirar os mariscos das suas conchas; partir o pão em fatias finas e  a partir daqui tudo fica mais rápido para a finalização da açorda!

Depois é só acrescentar uns ovinhos para escalfar, polvilhar com salsa ou coentros e servir logo de seguida!

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Receita

Ingredientes

  • 600g de marisco(mexilhão, ameijoas,berbigão e conquilhas)
  • 1dl de azeite
  • 2 cebolas médias
  • 3 dentes de alho
  • 1 ramo de coentros
  • 4 ovos
  • 240g de pão tipo caseiro
  • sal
  • Cerca de 7,5 dl água

Preparação

  1. Lavam-se os mariscos e põem-se de molho em água temperada com sal, cada um em seu recipiente.
  2. Leva-se a água ao lume num tacho com uma cebola picada e uns raminhos de coentros. Abrem-se os mariscos na mesma água, mas cada um de sua vez, retirando com uma escumadeira conforme vão abrindo.
  3. Passa-se por um pano fino a água onde abriram os mariscos. Retiram-se estes das conchas.
  4. À parte, leva-se ao lume, num tacho, o azeite com a cebola e os dentes de alho picados. Logo que comece a alourar adiciona-se a água dos mariscos. Levanta fervura e deita o pão cortado às fatias finas. Mexe-se com uma colher de pau, envolvendo bem e misturam-se os mariscos e os coentros picados.
  5.  Abrem-se cavidades e colocam-se os ovos. Estão prontos quando a clara estiver coagulada.

Bom apetite!!!

Se fizer a açorda tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como a açorda tomou forma na sua cozinha.

 

 

 

Toucinho do Céu

O que se poderá dizer mais acerca deste doce secular e conventual, Toucinho do Céu, que ainda não tenha sido dito…..

Sobre esta receita especifica que diz ser originária do convento de Odivelas, depois de ter ido investigar, dei conta que existem uma diversidade de receitas a reclamarem a mesma origem. Assim sendo deixo aqui mais uma, só e apenas de toucinho do céu.

A sua preparação é o usual dos doces conventuais: calda de açúcar, ovos, muitos ovos, açúcar e amêndoa ralada.  Um bolo delicioso e guloso como todos os doces conventuais!!!

Receita

Ingredientes                               IMG_7736-2

  • 460g de açúcar
  • 230ml de água
  • 200g de miolo de amêndoa pelada e ralada
  • 20 gemas de ovo
  • 2 claras
  • 1 colher de chá de canela

Preparação

  1. Aqueça o forno a 160ºC, unte uma forma com manteiga e cubra com papel vegetal.
  2. Numa panela, leva-se ao lume o açúcar com a água até obter o ponto pérola. Se tiver dificuldade em achar o ponto pode verificar aqui. Junta-se o miolo de amêndoa e a canela. Deixa-se arrefecer.
  3. Numa outra tigela junta-se as gemas batidas com as claras e adiciona-se ao preparado anterior lentamente, começando por tirar uma colher de sopa da mistura do açúcar e colocar nas gemas mexendo rapidamente com a vara de arames. Repita o processo mais umas 4 ou 5 vezes até a gemas estarem temperadas. Esta técnica evita que as gemas cozam precocemente com o risco de obter uma mistura de açúcar com ovos aos “farrapos”. Deite-as então na panela do açúcar com a amêndoa, leve novamente ao lume, desta vez baixo, até engrossar, fazer estrada no fundo do tacho.
  4.  Deite o preparado na forma e leve ao forno pré aquecido durante +/- 30 minutos ou quando o palito sair enxuto.
  5. Deixe arrefecer, tire da forma e polvilhe com açúcar e canela.

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Bom apetite!

Se fizer o toucinho do céu tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como o toucinho do céu tomou forma na sua cozinha.

 

 

 

Arroz de tamboril

Hoje trago-vos um arroz de tamboril, este reclama a receita à moda de Cascais. O tamboril é um peixe que vive nos fundos do maré, é caracterizado pela cabeça desproporcionalmente grande, com boca semicircular munida de dentes pontiagudos.

Apresentando um baixo teor de gordura o tamboril é uma boa opção alimentar para quem quer perder peso.

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imagem tirada da net

Receita

Ingredientes               IMG_7938                       

  • 350g de arroz Carolino
  • 800g de tamboril cortado aos pedaços
  • 1/2 dl de azeite
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alho picado
  • 3 tomates maduros sem pele nem sementes
  • 1 folha de louro
  • 1 ramo de coentros
  • Piripiri
  • Sal e Pimenta qb

Preparação

  1. Tempera-se o tamboril com sal. Leva-se ao lume , num tacho, o azeite com a cebola, os dentes de alho picados e a folha de louro. Logo que a cebola esteja levemente loura, juntam-se os tomates e deixam-se cozer até desfazer. Nessa altura põem-se os coentros picados e tempera-se com sal e piripiri.
  2. Adiciona-se a água ( 3 vezes o volume do arroz) e assim que levante fervura mistura-se o arroz e o peixe.
  3. Deixa-se cozer em lume brando e serve-se logo que saia do lume para não secar.

Bom apetite!!!

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Se fizer o arroz de tamboril tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como o arroz tomou forma na sua cozinha.

 

 

 

Sopa de gravanços com beldroegas

Apartir daqui os dias vão começar a esfriar, a ficarem mais curtinhos e começa apetecer comidinha mais confortante.

Com este pensamento deixo aqui uma sopa de gravanços com beldroegas dos meus canteiros.0-2

Gravancos era o aportuguesamento do grabanzo das vizinhas terras de Castela,  constituíam um substancial alimento guardado para a sopa de domingo a que se  misturava massa  para dias de  trabalhos agrícolas como as ceifas e malhas, ora sendo esta sopa da região do Algarve faz todo o sentido.

Por aqui chamamos grão de bico!

Além do grão de bico e das beldroegas, esta sopa leva um chouriço pequeno de carne que eu aconselharia que fosse um chouriço de qualidade para deixar na sopa aquele  sabor a fumado!

 

Receita

Ingredientes

  • 330g de grão de bico
  • 1 chouriço de carne pequeno
  • 1 dl de azeite
  • 1 molho de beldroegas*
  • 2 batatas médias
  • Água
  • Sal e pimenta

Se não tiver beldroegas poderá substituir por agrião ou canónigos

Preparação

  1.  Na noite anterior colocar o grão de molho. No dia seguinte, coze o grão como habitualmente.
  2. Retira metade do grão com uma escumadeira e reserva.  Para a panela que está ao lume com os restantes grãos, deitam-se as batatas descascadas e cortadas aos bocados, o azeite, o sal, a pimenta e o chouriço de carne cortado ás rodelas e deixa-se cozer.
  3. Quando todos os ingredientes estiverem cozidos, passam-se pela trituradora, acrescentam-se as beldroegas bem lavadas e cortadas aos raminhos e os grãos reservados.
  4. Quando as beldroegas estiverem cozidas( é só uma fervura), serve-se quente.

Bom apetite!

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Beijinhos e abraços

Ana

Se fizer a sopa de beldroegas, tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como  a sopa tomou forma na sua cozinha.

 

 

 

 

 

 

 

 

O Rei dos pudins

A riqueza da doçaria portuguesa tem grande parte da sua origem nos conventos e mosteiros portugueses. As claras de ovos utilizadas para a confecção de hóstias ou para engomar os hábitos deixavam as gemas, que, para não serem desperdiçadas, levaram as freiras e frades a aperfeiçoarem as receitas ancestrais e familiares, criando ou recriando doces ricos em açúcar, gemas e frutos (secos ou da época).

Alcobaça, de onde é originária a receita do pudim que hoje vos trago, tornou-se  pioneira na preservação e divulgação do riquíssimo património cultural que é a doçaria, deixada pela presença dos monges e monjas cistercienses dos conventos de Alcobaça e Coz.

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Imagem tirada da net do mosteiro de Alcobaça

O ingrediente principal deste pudim, e por isso conventual, são os ovos, 12 precisamente, a eles juntamos calda de açúcar, amêndoa,manteiga e temos um doce de se ” bradar aos céus”o que não é de se admirar devido à sua origem!

 

 

Receita

Material

  • Forma de chaminé com 23cm
  • Tabuleiro onde caiba a forma com água

Ingredientes

  • 10 gemas + 2 ovos inteiros temperatura ambiente
  • 500g de açúcar
  • 1/2 litro de água
  • 35g de manteiga s sal à temperatura ambiente
  • 150g de miolo de amêndoa moido com pele

Preparação

  1. Leva-se ao lume a água e o açúcar até ficar ponto pérola. Se tiverem dúvidas como se atinge o ponto podem verificar aqui
  2. Deixa-se arrefecer um pouco, unta-se uma forma com manteiga e deita-se 200ml da calda.
  3. À calda restante junta-se a manteiga e a amêndoa, cortam-se os ovos com uma faca para não os arejar, e juntam-se ao preparado anterior, só a envolver! Não queremos ar no pudim.
  4. Deita-se muito devagar na forma. Vai ao forno em banho maria a 150ºC durante 60 minutos.

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Bom apetite!

Beijos e abraços

Ana

Se fizer o Rei dos pudins, tire uma foto e publique no instagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como  o pudim tomou forma na sua cozinha.

 

Peixinhos- da- horta

Continuando no tema, comida tradicional portuguesa, hoje falemos um pouco deste prato que consiste em feijão verde envolto em massa (polme) e frito em óleo quente.

Não se sabe ao certo a origem do nome desta preparação popular do feijão verde, é provável que derive da sua semelhança com pequenos peixes fritos.

Crê-se que os peixinhos-da-horta deram origem, à Tempura , especialidade da cozinha japonesa, quando missionários portugueses levaram a receita para o Japão em meados do século XVI.

RECEITA

Ingredientes

  • 500g de feijão verde tenro
  • 250g de farinha
  • 2dl de leite
  • sal
  • óleo para fritar

Preparação

  1. Numa panela com água e sal a ferver, coze o feijão verde inteiro, durante 5 minutos, retira , deita para uma tigela com água gelada, deixa estar até arrefecer por completo, escorre e reserva.
  2. Noutra tigela, adiciona a farinha, sal e deita o leite misturando com uma vara de arames até a mistura (polme) se encontrar lisa sem grumos.
  3. Passam-se os feijões verdes que reservou (dois de cada vez) pela polme e fritam-se no óleo a ferver.

Bom apetite!

Beijinhos e abraços

Ana

Se fizer os peixinhos-da-horta, tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como os Peixinhos-da-horta tomaram forma na sua cozinha.

 

Lidadores

Nesta minha reentrada resolvi apostar na cozinha tradicional Portuguesa.

Para começar e como cá em casa somos muito gulosos, deixo uma receita de uns bolinhos conventuais chamados  Lidadores.  A receita diz ser de Óbidos, uma bonita vila situada dentro e ao redor das muralhas de um castelo, na região centro do país.

Imagem tirada da net-wikipédia

Sendo uma receita conventual, os lidadores destacam-se pela quantidade de ovos que levam mas também amêndoa moída e abóbora cristalizada. Um doce sem dúvida para gulosos que apreciem ovos e açúcar!

Receita

Material

  • formas de bolos pequenos
  • papel vegetal
  • manteiga para untar

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Ingredientes

  • 2,5dl de água para a calda
  • 70g de manteiga sem sal
  • 2,5dl de água
  • 500g de açúcar
  • 150g de miolo de amêndoa sem pele moído
  • 120g de abóbora cristalizada cortada fininha
  • 12 gemas
  • 2 claras
  • 70g de farinha

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Preparação

  1. Forre as forminhas untadas com papel vegetal e torne a untar. Pré-aqueça o forno a 150Cº.
  2. Num tacho deita-se o açúcar ,a água, leva-se ao lume  sem mexer até atingir o ponto de pérola fraco.Resultado de imagem para pontos de açúcar  Deixa-se arrefecer um pouco e junta-se a abóbora cortada fininha e amêndoa moída, a farinha desfeita (e sem grumos) na água e os ovos cortados com uma faca – não queremos ar nos bolinhos – envolvendo sem bater, ligando a mistura muito bem.
  3. Deita-se na formas e leva-se a cozer durante +/- 60 minutos

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Bom apetite!

Beijos e abraços

Ana

 

Se fizer os Lidadores, tire uma foto e publique noinstagram #acozinhadaanikas, gostaria muito de ver como os Lidadores tomaram forma na sua cozinha.